"Que Deus nos ama, é objecto da nossa fé. Começamos por acreditar nesse amor. Mas o amor de Deus por cada um de nós pode tornar-se experiência vivida e mesmo sentida. A generosidade absoluta desse amor comove-nos; a ânsia que Deus manifesta de nos amar e de receber o nosso amor, desperta dinamismos profundos, escondidos no nosso coração. Não é só Deus que se sente atraído por nós; no mais íntimo de nós mesmos sentimo-nos atraídos por Deus e essa é uma atracção de amor. A dimensão esponsal com que as imagens bíblicas nos apresentam o amor de Deus pelo seu Povo, revela-nos o mais profundo desejo de Deus: ser comunhão connosco. Para o conseguir, enviou o seu Filho, isto é, deu-no-l’O para nos amar com um amor humano, que é divino, e dar a maior prova de amor, deixar-se amar por nós.
Ao preparar a Páscoa deste ano, não desviando o olhar do rosto de Cristo crucificado, identifiquemos todos os sinais da nossa atracção por Deus, demos-Lhe o nosso amor manifestado em gestos simples de vida, que vão da adoração ao amor fraterno, e demos, neste tempo, à Cruz do Senhor um lugar especial na nossa vida, com muita gratidão e de ternura. E nunca esqueçamos que amá-l’O é cumprir a sua vontade obedecendo aos seus mandamentos, pois há formas de viver que abafam em nós essa experiência do amor de Deus."

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