06/03/2007

Retiro...Com Vocês em Pensamento...

Caríssimos,
Mesmo não podendo ir ao retiro estive com vocês em pensamento. Tenho pena de não ter participado em mais uma reunião de partilha de felizes experiências... Em tempo de Quaresma é altura de pensar e de agir, mas a oração também é muito importante, por isso vos transcrevo este texto que encontrei sobre esse tema que quis partilhar convosco.

Beijinhos e até para a semana!
Joana D

"Orar é simples. É como encontrar, de surpresa, um amigo ou amiga, e correr para eles, abraçá-los, ficar com eles e, sem pressas, falar, escutar, contar, louvar, agradecer, pedir... Deus e esse(a) amigo(a). Mais, Ele é família. É paternidade; é filiação; é Amor que leva à felicidade. Rezar é estar na presença de Deus. Ele tem muitas portas e esquinas que abre ou dobra para Se encontrar connosco. Um raio de sol mais intenso; um mar imenso, que bate, ritmicamente, nas rochas ou na areia; uma notícia; uma canção; uma surpresa, uma saudade, um acto de contrição... podem dirigir os nossos pensamentos, o nosso afecto, as nossas palavras para Deus. Ele serve-se deles, para nos dizer: «Estou aqui e quero estar contigo, escutar-te, falar-te.»

Orar é dialogar. Deus ouve-nos. E percebe até os nossos silêncios. Ele até lê nas entrelinhas, porque, às vezes, queremos esconder-Lhe aquilo que nos envergonha. Conhece todos os pontos do nosso ser. Mas não é tirano. Não é um Senhor que nos tem como escravos. Não se ri de nós. Prefere rir-se connosco. Não fica à espera que Lhe supliquemos, vezes sem fim, aquilo de que precisamos. Adianta-se e assegura: «Se queres, podes! Eu vou ajudar-te. Toma umas sementinhas. Agora, planta, rega, trata e colhe. Vá, desampara-me a loja...» E se tem motivos para ralhar, não nos expulsa da sua presença. Nunca nos condena. Diz-nos: «Perdoo-te. Vai em paz e não tornes a pecar» (S. João, 8. 11).

Como, Onde e Quando
Não sabemos como rezar. Talvez porque não sabemos onde está Deus. Ensinaram-nos que Ele estava no Céu. E habituámo-nos a olhar para cima, à procura de um Deus tão invisível quanto impessoal e longínquo. Ou, ao contrário, temido como alguém que sabe tudo sobre nos, sempre a observar-nos. Disseram-nos que está na igreja, o templo de pedra. Mas, ou porque não gostamos da outra Igreja, de homens e mulheres, ou por­que não temos o hábito, não passamos muito tempo nos bancos daquele edifício. Quando muito, aguentamos uma hora de missa aos domingos. Deus disse de Si mesmo: «Eu sou aquele que sou/estou (onde tu estás)» (Livro do Êxodo 3,14]. Isso significa que podemos rezar com os olhos fechados - Deus está no nosso intimo -, sentados, de joelhos ou de pé; parados ou a movimentar-nos...; quando caminhamos, cantamos, dançamos, brincamos, amamos, trabalhamos...; se estamos doentes numa cama, detidos numa prisão ou em viagem... Não há limites para o encontro com Deus. Apenas precisamos de métodos, regras, ajudas.

É Preciso Disciplina
Podemos estar com Deus em todo o lado, mas isso só acontece se quisermos, tal como é possível ver um amigo num lugar e nada fazer para nos encontrarmos. Contudo, se um encontro na rua pode ser feliz, Deus prefere estar connosco num lugar e num momento previamente combinados, e estar a sós ou com um grupo de amigos.
Escolhemos a igreja ou o quarto, o jardim, a beira-mar... Adoptamos a posição mais confortável. Damos as boas-vindas a Deus dizendo o Seu nome: fazendo o sinal da cruz, física ou mentalmente, traçando-a com a mão, que desde da testa ao coração e cruza do ombro esquerdo ao ombro direito, enquanto pronunciamos: «Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.» Depois, dialogamos, mas não com palavras e sentimentos soltos. Como diz o poeta Alberto Caeiro, e preciso ser pastor das letras e dos afectos. Há o risco de divagar, perder-nos em palavreados e recordações nostálgicas e, com isso, afastar-nos de Deus. Seria como ler um livro ou ouvir a TV quando alguém está a falar connosco. E terminamos agradecendo e marcando o próximo encontro. Depois, sempre que possível, fala da tua oração com alguém habituado a rezar.

Modelos de Oração
Um modelo prático que pode ajudar-te a rezar é usares os dedos da mão:

O POLEGAR - é o dedo mais forte. Dá graças a Deus por cada uma das coisas importantes da tua vida: família, casa, amigos, trabalho, estudo, comida, saúde...
O INDICADOR - é o dedo que aponta. Reza pelas pessoas e acontecimentos que te ajudam e guiam: amigos, professores, médicos, enfermeiros, padres...
O MÉDIO - é o dedo maior. Ora pelas pessoas importantes, as que têm poder: governantes, líderes de organizações, líderes religiosos...
O ANELAR - é o dedo que assinala os compromissos. Lembra-te daqueles que precisam de alguém que pense neles: pobres, famintos, doentes, idosos...
O MÍNIMO - é o mais pequeno. Reza por ti, pelos teus sonhos e problemas. Podes completar este método, colocando algo na mão: flor, mundo, bebé... e ligá-lo ao anterior.

Outro modelo é começar por algo que funciona como o fio do novelo: uma árvore, uma casa, o rio, o mar, o corpo humano... No caso da árvore, por exemplo, começa pela raiz e medita na sua importância; continua pelo tronco; demora-te a ver pormenores dele: nós, golpes, algum ninho; segue pelos ramos, folhas, frutos, com o mesmo esquema. Poderias ficar um dia inteiro a rezar assim e a tirar conclusões para ti e para a sociedade. Um terceiro modelo é pegares na Bíblia e escoIher um livro. Lê pausadamente. Há sinais no texto (números, asteriscos, cruzes). Classificam as frases e remetem-te para outros textos com o mesmo assunto ou para explicações. Interpreta o texto: de que fala (alegria, tristeza, normas...)? Mete-te na história. Imagina-te presente como testemunha ou que aquele discurso e dirigido a ti. Como te sentes? Como reages? Algo chamou a tua atenção, tocou-te? Sentes necessidade de mudar algo? Sentes força, confirmação no que estás a fazer? Nisto, Deus está a falar-te!

Ele é Muito Mais
Deus é muito mais do que podemos imaginar. Somos capazes de Lhe pedir um copo de água. quando Ele é um oceano sem fim; oferecemos-Lhe, em agradecimento, um botão de rosa, sendo Ele um jardim com milhões de flores... Pensa nisso!"

JORGE FERREIRA in Audácia

1 comentário:

Centro Juvenil da Mina disse...

obriada Joana pelo ocntributo. Sentimos a tua ausência... este foi sem duvida um momento forte do grupo...estou a gostar de vos ver participar no blog e interessados nas sctividades, mesmo quando não podem ir...muitos beijinhos
vanda